Acidentes de trabalho no Brasil: estatísticas que todo trabalhador precisa conhecer

Os acidentes de trabalho no Brasil não são exceção. Na verdade, essa é uma realidade diária para centenas de milhares de trabalhadores. Só no primeiro semestre de 2025, foram registrados mais de 380 mil acidentes e 1.689 mortes, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Isso equivale a uma morte a cada 9 horas.

O Rio Grande do Sul, especificamente, aparece em uma posição preocupante nesse cenário, e os dados mais recentes mostram por quê cada trabalhador gaúcho precisa conhecer seus direitos.

Continue lendo para entender o tamanho do problema, quais setores concentram mais risco e o que fazer quando o acidente acontece.

Quantos acidentes de trabalho acontecem no Brasil em 2025?

No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou 380.376 acidentes de trabalho e 1.689 mortes, segundo o MTE. Em comparação com o mesmo período de 2024, o crescimento foi de quase 9% nos acidentes e 5,63% nas mortes.

Inclusive, a tendência de alta de acidentes de trabalho no Brasil é contínua desde 2021:

  • 2021 → 2022: +12,63%
  • 2022 → 2023: +11,91%
  • 2023 → 2024: +10,6% (834.048 ocorrências no ano todo)
  • 1º semestre 2024 → 1º semestre 2025: +8,98%

O Ministério da Previdência Social estima que os acidentes de trabalho representem uma perda de até 4% do PIB nacional ao ano, cerca de R$ 430 bilhões.

Como está o Rio Grande do Sul?

O Rio Grande do Sul ocupa uma posição de alerta no cenário nacional. Isso porque, no primeiro semestre de 2025, o estado liderou o ranking nacional de acidentes de trabalho por 100 mil trabalhadores, com 1.087 registros, segundo o MTE.

Os dados mais recentes do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho apontam que, em 2023, foram registradas 61.300 notificações de acidente de trabalho no RS, com 152 acidentes com óbito.

Na Justiça do Trabalho gaúcha, o reflexo é direto. Em 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região registrou o maior número de processos por acidentes de trabalho e doenças ocupacionais dos últimos cinco anos:

  • 5.642 ações relativas a acidentes de trabalho, que representa um crescimento de 14% em relação a 2023; 
  • 5.381 processos referentes a doenças ocupacionais, com crescimento de 35%. 

E o primeiro trimestre de 2025 aponta aceleração: alta de 23,8% nos processos de acidente de trabalho e de 34,8% nos casos de doenças ocupacionais em comparação ao mesmo trimestre de 2024.

Setores com mais acidentes no Rio Grande do Sul

As atividades com maior número de acidentes de trabalho no RS são:

  • Atendimento hospitalar;
  • Transporte rodoviário de cargas;
  • Comércio varejista (supermercados e hipermercados);
  • Construção de edifícios;
  • Abate de aves, suínos e outros animais.

Afastamentos por saúde mental no RS

Em 2024, por exemplo, 528 trabalhadores gaúchos receberam auxílio-doença por acidente de trabalho cuja causa foi a saúde mental. Isto é, transtornos de ansiedade, episódios depressivos e reações ao estresse lideram os diagnósticos.

Quais são os tipos de acidente de trabalho mais comuns?

De acordo com o MTE, a distribuição dos acidentes de trabalho registrados em 2024 foi:

  • 74,3%: acidentes típicos (no exercício da atividade profissional);
  • 24,6%: acidentes de trajeto (no percurso entre casa e trabalho);
  • 1%: doenças ocupacionais.

O baixo percentual de doenças ocupacionais não reflete a realidade. Afinal, especialistas apontam que esse número é resultado de subnotificação, já que a correlação entre a doença e o trabalho é mais difícil de ser reconhecida e registrada.

Além disso, os acidentes de trajeto cresceram de forma expressiva: 17,8% em relação a 2023 e 45,3% em dois anos, passando de 124,8 mil casos em 2022 para 181,3 mil em 2024.

Quais partes do corpo são mais atingidas?

As partes do corpo mais afetadas nos acidentes de trabalho no Brasil são mãos, braços e pernas, segundo o MTE – membros diretamente expostos nas atividades operacionais.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as causas de afastamento acidentário mais frequentes foram lesões no ombro, dorsalgia, mononeuropatias e transtornos ansiosos.

O que esses dados significam para o trabalhador gaúcho?

O Rio Grande do Sul liderar o ranking nacional de acidentes de trabalho no Brasil por 100 mil trabalhadores em 2025 não é coincidência. Setores como saúde, transporte e agroindústria, muito presentes na economia gaúcha, estão entre os mais afetados.

Na prática, isso significa que a chance de um trabalhador gaúcho se acidentar no trabalho é real. Portanto, conhecer seus direitos antes do acidente acontecer faz toda a diferença.

Quando o acidente ocorre, o trabalhador deve:

  1. Buscar atendimento médico imediatamente;
  2. Comunicar o empregador assim que possível;
  3. Exigir a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho);
  4. Guardar toda a documentação médica;
  5. Consultar um escritório de advocacia especializado em acidente de trabalho.

Conclusão

Os dados de 2025 confirmam o que já era evidente: os acidentes de trabalho no Brasil, e no Rio Grande do Sul em especial, representam um problema crescente e subestimado.

Trabalhadores de todos os setores estão expostos, mas os mais vulneráveis são os que menos conhecem seus direitos. Sendo assim, saber o que fazer no momento certo pode determinar se o trabalhador vai receber a indenização que merece ou perder esse direito por falta de informação.

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